domingo, 1 de agosto de 2021

Respeite seus bloqueios

 

 


Por Barry Siskind

 

“O único limite para realização do amanhã serão nossas dúvidas de hoje.” – Franklin Delano Roosevelt

 

A estrada em direção a certezas repleta de bloqueios. Ao contrário de uma estrada real, contudo, esses obstáculos em seu caminho não precisam fazer com que você retorne ou sofra um grande atraso. Os bloqueios dessa estrada são, na verdade, parte da vida e podem ter efeitos positivos em tudo o que você faça. Cada bloqueio é uma chance real para que você aprenda mais sobre o caminho escolhido e ajude a definir uma trajetória.

Há alguns anos investir muito tempo e energia num negócio que faliu. Estava arruinado e procurava uma resposta para o fato de ter falido recentemente uma pessoa com quem travei contato durante aquele aparente fiasco nos negócios veio até mim com uma tremenda proposta, cujas particularidades eram muito melhores do que meu negócio original. Se eu tivesse ficado preso ao original teria perdido essa nova oportunidade. Meu bloqueio na verdade levou-me há uma outra estrada que era ainda melhor. Tive apenas sorte ou algo mais estava acontecendo?

 Voltaire escreveu: ”sorte é uma palavra destituída de sentido nada pode existir sem uma causa.” Minha sorte resultou de uma oportunidade perdida. Olhando para trás, percebo que houve muitos sinais de que o primeiro negócio nunca teria dado certo. Se eu tivesse percebido esses sinais na época poderia ter evitado a falência. Uma abordagem proativa teria permitido que eu assumisse o controle mais cedo; minhas ações teriam feito com que eu tivesse um sucesso estrondoso. Ser proativo e ter controle esta é a lição básica que você aprenderá com esta estratégia.

 

Detido pela dúvida

Imagine seu mundo como uma linha horizontal de um lado, você tem a certeza. Nesse ponto, você sabe que toda atitude que tomar será certa para você. Aqui, você joga como um vencedor e sente-se confortável consigo mesmo.

Do outro lado da linha está incerteza. Esse é o lugar da hesitação, da tensão e da fadiga. Aqui, você é vítima do fluxo e refluxo da vida.

Quando você olhar para essa linha, não há conexão óbvia entre a certeza e a incerteza. Você está de um lado ou de outro. Quando você está incerto, está em incerto, ponto. E quando você tem certeza, o sentimento é pleno. Algumas pessoas seguras vivenciam momentos de incerteza, e o contrário também ocorre: pessoas inseguras têm momentos de certeza.

 O que impede que você transite livremente nessa linha de um lado para o outro são os bloqueios que tomam a forma de dúvida. Essa incerteza pode mudar seu curso.

 Todos nós seguimos adiante na vida sabendo que tudo está acontecendo como deveria – mas, então a dúvida se ergue com sua cabeça feia. Todavia, é preciso levar lembrar que a dúvida é simplesmente um mensageiro e nem sempre é algo ruim. Essas visitas da dúvida podem ser um vislumbre momentâneo do que é possível ou uma nuvem que lança sua sombra em tudo que fazemos. Uma vez que você entenda o que a dúvida representa pode colocá-la em seu devido lugar.

 Na estratégia 2 falei sobre um conhecido meu que teve momentos de certeza por intermédio de seus filhos e da carpintaria. Para pessoas como ele, esses momentos de certeza são pistas oferecidas pelo universo do que é possível.

 Para as pessoas seguras, a dúvida funciona tal como os momentos de certeza para as pessoas inseguras. Um momento de dúvida oferece uma revisão da realidade e consiste em uma oportunidade para nos focarmos novamente em uma maneira mais gratificante de viver.

Dúvidas são personagens inescrupulosos. Por um lado, podem disparar uma espiral de incertezas que adquire uma dimensão maior se as coisas não são colocadas em revisão rapidamente. William Shakespeare escreveu: “Nossas dúvidas são traidoras e fazem com que percamos algo que temos possibilidades de ganhar, por medo de tentar.”

Mas, para realmente entendermos nossas dúvidas e torna-las oportunidades, precisamos observá-las mais de perto. As dúvidas não aparecem do nada. Tem de haver uma causa.

 

Medo

 Dúvida, é na verdade, uma reação ao medo. Embora o medo e a dúvida tenham muito a ver um com outro, existem diferenças. O medo é uma reação emocional baseada em um estímulo real ou ilusório. Dúvida, ao, contrário, é uma reação diretamente ligada àquilo que tememos. Ela cria ação (ou inação). Dúvidas são, muitas vezes, ouvidas por meio dessas mensagens insistentes que enviamos a nós mesmos e que resultam diretamente do medo. Sem medo, não haveria dúvida. Sem a dúvida, o medo não teria como se expressar.

 Se você teme a rejeição, o medo pode impedir que você corra riscos. O medo de represália pode impedir que você  sugira ideias e assim por diante. Trata-se simplesmente de desculpas para inação. Quando você confere muito poder ao medo, torna-se vítima dele. À medida que você o retém, mais difícil fica escapar dele.

Por outro lado, o medo também pode ser um grande motivador. Meu medo do fracasso me motiva a trabalhar quantas horas forem necessárias para que eu tenha êxito. Meu medo de não conseguir ser o tipo de chefe que desejo ser me motiva a me submeter ainda mais à prova com meus funcionários.

O medo tem seu lugar e é uma parte sua que deve ser honrada. Entender os medos subjacentes a seus objetivos é mais útil do que tentar eliminá-los de sua vida. Na verdade, seu medo constitui uma oportunidade para que você se conheça melhor e mais livremente. Quando conhecemos nossos medos, podemos escolher o que fazer com eles. Se eles o enfraquecem ou ficam no seu caminho, a ajuda profissional está a sua disposição. No entanto, com muito mais frequência do que imaginamos, podemos encontrar uma maneira de lidar com eles sozinhos.

Existem três tipos de medo. Em primeiro lugar, os medos que não temos controle, como a velhice, a morte, ou a doença. Em seguida, existem os medos que são estimulados por uma ação iminente de nossa parte.

Essa ação pode ser uma decisão de voltar a estudar, mudar de carreira ou terminar um relacionamento.  Finalmente, existem os medos que vêm do estado interior de nossas mentes – nossos egos. Esses medos se manifestam em relação à rejeição, ao sucesso, ao fracasso, a ser vulnerável, a ser trapaceado e a se sentir desamparado.

Quer o medo seja resultado de um estímulo externo ou gerado internamente, a verdadeira questão é: “Qual é o seu propósito?”

Como já mencionei, tenho medo do fracasso. Aos vinte e poucos anos de idade, tinha a impressão de que meu futuro estava garantido. Tinha um ótimo emprego, uma família recém-constituída, uma casa nos arredores, da cidade, uma hipoteca, um cachorro, todo o necessário para um sucesso cada vez maior. Eu era invencível, mestre do meu próprio universo, ou assim pensava. Então, cheguei aos 30. Estava divorciado e falido. Sem carreira, família, ou emprego, foi aí que minha busca começou. Tentei um número sem-fim de coisas, e então, um dia, descobri em minha mente (e em meu coração) o que poderia fazer – ensinar. Eu tinha sido professor. Dei aula para algumas turmas noturnas enquanto estava na universidade e gostei muito da experiência.

Por um lado, sentia uma grande vontade de ensinar e queria montar meu próprio centro de treinamento. Por outro, meu medo do fracasso dizia: “E se você falhar?” Era como um desenho em que um homem tem um anjo em um ombro e um diabinho no outro, cada um sussurrando uma mensagem diferente em seus ouvidos. Lembro-me de estar dirigindo de volta para casa e dizendo a mim mesmo: “Deixe o que deseja de lado e você vai acabar trabalhando para outra pessoa, fazendo algo que não gosta de verdade apenas para se sustentar.” Esta não era a maneira como queria levar minha vida.

Meu medo do fracasso me motivou. Eu me lembro daquele dia tão bem como se fosse hoje. Esse medo me assustou tanto que jurei nunca mais fracassar novamente. Para mim, o medo representou uma oportunidade para que eu me conhecesse. Não há motivo para recear seus medos. Eles são uma parte importante de você; fazem de você quem você é.

A dúvida e sua causa subjacente, o medo, são dois sinais em nossa estrada. Quando conseguimos entende-los conduzem-nos a uma compreensão melhor de nós mesmos.

 

Cinco passos para encarar seus medos e dúvidas.

 

Não queremos nos livrar dos medos e dúvidas. Queremos apenas aprender a mantê-los em seus devidos lugares e fazer com que se posicionem a nosso favor. A palavra tibetana rewa designa esperança e a palavra dokpa significa medo. A palavra re-dok é uma combinação de ambas, uma equação de dois lados: esperança e medo. Buscar a esperança em seus medos e dúvidas muitas vezes, um desafio, mas, com certeza, ela está sempre lá.

Aproveitar o poder da dúvida e sua causa subjacente, o medo, é impossível. Ao contrário de escolher uma vítima reagente ao medo, abrindo mão de seu poder sobre as circunstâncias, você pode ser proativo e criar certezas em qualquer situação.

Você traz a proatividade para a sua vida com os cinco passos seguintes.

 

1: Pare

Ôooo! Faça com que aquele cavalo em disparada pare antes que você perca o controle. Não importa realmente sobre o que são aquelas reclamações em sua mente, desde que você as faça parar. Obviamente, o quanto antes você bloquear essas mensagens, mais fácil será controlar a situação. Quanto mais demorado for, maior será o risco de uma fuga da manada. Quanto mais você praticar estes cinco passos, mais cedo você reconhecerá esses sinais.

Todos nos damos pistas que nos informam sobre como lidamos com a dúvida.  Podemos estar zangados, desapontados, frustrados, surpresos ou confusos. Podemos ser grosseiros e gritar ou calmamente irmos embora. Podemos ficar na defensiva e começar a dar todos os tipos de desculpas. Qualquer que seja seu modo de ação, é importante reconhecer como você lida com a dúvida.

Isso é difícil e requer treinamento. Pense em você como um automóvel de luxo. Quando você anda, emite certos sons que deixam que o motorista perceba que tudo está bem. Quando o som muda, motorista sabe imediatamente que algo está errado e checa o motor. Então, se ele encontra uma correia de ventilador solta ou descobre que o motor não está trabalhando em sua capacidade total, ele o leva ao conserto. Quanto mais conhecimentos você tem em relação aos sons que produz em sua mente, mais você saberá sobre as mudanças. Essas mudanças são as mensagens que indicam que algo está diferente e que é hora de checar o motor.

 

2. Faça uma pausa e uma repetição

Repita aquela mensagem interior. Ouça cuidadosamente o que ela está dizendo. Se você consegue ouvi-la escrava em um pedaço de papel. Como um observador imparcial, olhe para as palavras. Use sua perspectiva de olhos de águia.

Pergunte a si mesmo: “Como esta mensagem afeta minhas incertezas?” Você sabe como é se sentir seguro, então, quando ouve a mensagem, o que muda em você?

De que maneira essas mensagens são diferentes das outras que você envia a si mesmo quando se encontra em um estado de certeza?

Faça a si mesmo uma série de perguntas sobre a mensagem – encontre o problema. Não ataque a dúvida; melhor, estude-a para ver se você consegue descobrir o que ela está tentando transmitir.

Em seguida, pergunte a si mesmo: “É isso o que eu realmente quero ser?” Esta é uma pergunta difícil. Imagine o tipo de pessoa que você quer ser e pergunte a si mesmo se essa mensagem é coerente com essa imagem ideal. Quando você for confrontado por dúvidas e ouvir as reclamações de sua mente, pergunte a si mesmo se o que está ouvindo provém realmente de você. Você realmente quer ser rabugento, enraivecido ou maldoso? É isso o que realmente quer ser? A resposta é sempre não.

 

3. Desvende o medo

O resultado de sua análise deve revelar o centro do problema – o medo. Alguns medos são racionais. Se você dúvida se deve pular da janela de um avião com um paraquedas que você mesmo preparou – sem nunca ter tido aula com um profissional sobre como fazer isso – então, seu medo de morrer é bem realista. Aqui, a dúvida está dizendo para que você repense sobre essa decisão em particular.

Quando Sir Ernest Shackleton partiu em missão para a Antártica, essa mensagem era alta e clara. Shackleton se deparou com obstáculos inesperados provocados por pessoas céticas durante todo o processo de planejamento.

“Você realmente acha que pode fazer isso?”, perguntavam essas pessoas.

“Sim”, respondia Shackleton enfaticamente. Ele não tinha qualquer dúvida sobre o sucesso da missão. Mais tarde, ele encontrou o rei da Inglaterra e, ao se despedirem, o rei perguntou a Shackleton: “Você sente medo?”

Shackleton virou-se, olhou para o rei e respondeu simplesmente: “Sim.”

Todos temos a escolha de ter dúvidas e permanecer parados, ou enfrentar o medo e seguir adiante.

 

4. Agradeça à sua dúvida

O próximo passo é concluir que você recebeu um presente, uma oportunidade de crescer. Dúvidas são exatamente isso: uma chance de descobrir quais são as suas partes que necessitam de atenção.  Dúvidas assim como bloqueios, forçam você a parar no meio do caminho e reexaminar as alternativas que tem para seguir em frente. Se você as ouvir e lidar com elas adequadamente, então pode esperar ansiosamente por uma viagem muito confortável.

A ação seguinte óbvia é a gentileza. Qualquer pessoa que lhe dê um presente de valor merece seu agradecimento. Agradecer a esse bloqueio pela mensagem passada é necessário; trata-se de uma afirmação consistente de que você realmente entende seu valor. Isso pode parecer absurdo. Como é possível ficar feliz diante de um bloqueio? Mas esse bloqueio consiste realmente em uma oportunidade para um exame de consciência necessário. Esse é o maior presente de todos e o ajudará a fazer com que a próxima etapa de sua viagem seja mais suave.

5. Comece a agir

E agora o teste. Comece a agir. O desafio é equilibrar duas forças opostas: a mente, que diz uma coisa, e seus instintos, que dizem outra. Isso é normal. Leva algum tempo até que essas forças trabalhem em harmonia.

Seja proativo e comece a agir agora.

Esses cinco passos conduzirão você ao caminho certo para, proativamente, se mover entre os bloqueios. Mas, se você ainda não está certo disso, não permita que essa situação o impeça de agir. Como Oliver Wendell Holmes Jr. Disse certa vez: “Quando estiver em dúvida, aja.“ É assim mesmo, drible-a!

Mudar seu comportamento não é algo fácil de fazer e, certamente, não é instantâneo. Exige que você aprenda novas alternativas. E novas habilidades levam algum tempo para se integrar a seu ser. Então, proceda como se já estivesse lá. Você ficará maravilhado com a velocidade com que seu conhecimento vai alcançar suas ações.

A vida é, na verdade, muito boa. Ela pode ser um jogo de ganhar ou ganhar, desde que você entenda que o que está em seu caminho está lá de fato, para suavizar a viagem para você. Com essa percepção, você estará dando passos importantes para criar uma vida repleta de certezas. Depois, quando você entender sua real importância, leve a busca a um outro nível, mais elevado.

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