Por
Barry Siskind
“O
único limite para realização do amanhã serão nossas dúvidas de hoje.” –
Franklin Delano Roosevelt
A estrada em direção a certezas repleta de bloqueios.
Ao contrário de uma estrada real, contudo, esses obstáculos em seu caminho não
precisam fazer com que você retorne ou sofra um grande atraso. Os bloqueios
dessa estrada são, na verdade, parte da vida e podem ter efeitos positivos em
tudo o que você faça. Cada bloqueio é uma chance real para que você aprenda
mais sobre o caminho escolhido e ajude a definir uma trajetória.
Há alguns anos investir muito tempo e energia num
negócio que faliu. Estava arruinado e procurava uma resposta para o fato de ter
falido recentemente uma pessoa com quem travei contato durante aquele aparente
fiasco nos negócios veio até mim com uma tremenda proposta, cujas
particularidades eram muito melhores do que meu negócio original. Se eu tivesse
ficado preso ao original teria perdido essa nova oportunidade. Meu bloqueio na
verdade levou-me há uma outra estrada que era ainda melhor. Tive apenas sorte
ou algo mais estava acontecendo?
Voltaire
escreveu: ”sorte é uma palavra destituída
de sentido nada pode existir sem uma causa.” Minha sorte resultou de uma
oportunidade perdida. Olhando para trás, percebo que houve muitos sinais de que
o primeiro negócio nunca teria dado certo. Se eu tivesse percebido esses sinais
na época poderia ter evitado a falência. Uma abordagem proativa teria permitido
que eu assumisse o controle mais cedo; minhas ações teriam feito com que eu
tivesse um sucesso estrondoso. Ser proativo e ter controle esta é a lição
básica que você aprenderá com esta estratégia.
Detido
pela dúvida
Imagine seu mundo como uma linha horizontal de um
lado, você tem a certeza. Nesse ponto, você sabe que toda atitude que tomar
será certa para você. Aqui, você joga como um vencedor e sente-se confortável
consigo mesmo.
Do outro lado da linha está incerteza. Esse é o
lugar da hesitação, da tensão e da fadiga. Aqui, você é vítima do fluxo e
refluxo da vida.
Quando você olhar para essa linha, não há conexão
óbvia entre a certeza e a incerteza. Você está de um lado ou de outro. Quando
você está incerto, está em incerto, ponto. E quando você tem certeza, o
sentimento é pleno. Algumas pessoas seguras vivenciam momentos de incerteza, e
o contrário também ocorre: pessoas inseguras têm momentos de certeza.
O que impede
que você transite livremente nessa linha de um lado para o outro são os
bloqueios que tomam a forma de dúvida. Essa incerteza pode mudar seu curso.
Todos nós
seguimos adiante na vida sabendo que tudo está acontecendo como deveria – mas,
então a dúvida se ergue com sua cabeça feia. Todavia, é preciso levar lembrar
que a dúvida é simplesmente um mensageiro e nem sempre é algo ruim. Essas
visitas da dúvida podem ser um vislumbre momentâneo do que é possível ou uma
nuvem que lança sua sombra em tudo que fazemos. Uma vez que você entenda o que
a dúvida representa pode colocá-la em seu devido lugar.
Na estratégia
2 falei sobre um conhecido meu que teve momentos de certeza por intermédio de
seus filhos e da carpintaria. Para pessoas como ele, esses momentos de certeza
são pistas oferecidas pelo universo do que é possível.
Para as
pessoas seguras, a dúvida funciona tal como os momentos de certeza para as
pessoas inseguras. Um momento de dúvida oferece uma revisão da realidade e
consiste em uma oportunidade para nos focarmos novamente em uma maneira mais
gratificante de viver.
Dúvidas são personagens inescrupulosos. Por um lado,
podem disparar uma espiral de incertezas que adquire uma dimensão maior se as
coisas não são colocadas em revisão rapidamente. William Shakespeare escreveu: “Nossas dúvidas são traidoras e fazem com
que percamos algo que temos possibilidades de ganhar, por medo de tentar.”
Mas, para realmente entendermos nossas dúvidas e
torna-las oportunidades, precisamos observá-las mais de perto. As dúvidas não
aparecem do nada. Tem de haver uma causa.
Medo
Dúvida, é na
verdade, uma reação ao medo. Embora o medo e a dúvida tenham muito a ver um com
outro, existem diferenças. O medo é uma reação emocional baseada em um estímulo
real ou ilusório. Dúvida, ao, contrário, é uma reação diretamente ligada àquilo
que tememos. Ela cria ação (ou inação). Dúvidas são, muitas vezes, ouvidas por
meio dessas mensagens insistentes que enviamos a nós mesmos e que resultam
diretamente do medo. Sem medo, não haveria dúvida. Sem a dúvida, o medo não
teria como se expressar.
Se você teme
a rejeição, o medo pode impedir que você corra riscos. O medo de represália
pode impedir que você sugira ideias e
assim por diante. Trata-se simplesmente de desculpas para inação. Quando você
confere muito poder ao medo, torna-se vítima dele. À medida que você o retém,
mais difícil fica escapar dele.
Por outro lado, o medo também pode ser um grande
motivador. Meu medo do fracasso me motiva a trabalhar quantas horas forem
necessárias para que eu tenha êxito. Meu medo de não conseguir ser o tipo de
chefe que desejo ser me motiva a me submeter ainda mais à prova com meus
funcionários.
O medo tem seu lugar e é uma parte sua que deve ser
honrada. Entender os medos subjacentes a seus objetivos é mais útil do que
tentar eliminá-los de sua vida. Na verdade, seu medo constitui uma oportunidade
para que você se conheça melhor e mais livremente. Quando conhecemos nossos
medos, podemos escolher o que fazer com eles. Se eles o enfraquecem ou ficam no
seu caminho, a ajuda profissional está a sua disposição. No entanto, com muito
mais frequência do que imaginamos, podemos encontrar uma maneira de lidar com
eles sozinhos.
Existem três tipos de medo. Em primeiro lugar, os
medos que não temos controle, como a velhice, a morte, ou a doença. Em seguida,
existem os medos que são estimulados por uma ação iminente de nossa parte.
Essa ação pode ser uma decisão de voltar a estudar,
mudar de carreira ou terminar um relacionamento. Finalmente, existem os medos que vêm do
estado interior de nossas mentes – nossos egos. Esses medos se manifestam em
relação à rejeição, ao sucesso, ao fracasso, a ser vulnerável, a ser trapaceado
e a se sentir desamparado.
Quer o medo seja resultado de um estímulo externo ou
gerado internamente, a verdadeira questão é: “Qual é o seu propósito?”
Como já mencionei, tenho medo do fracasso. Aos vinte
e poucos anos de idade, tinha a impressão de que meu futuro estava garantido.
Tinha um ótimo emprego, uma família recém-constituída, uma casa nos arredores,
da cidade, uma hipoteca, um cachorro, todo o necessário para um sucesso cada
vez maior. Eu era invencível, mestre do meu próprio universo, ou assim pensava.
Então, cheguei aos 30. Estava divorciado e falido. Sem carreira, família, ou
emprego, foi aí que minha busca começou. Tentei um número sem-fim de coisas, e
então, um dia, descobri em minha mente (e em meu coração) o que poderia fazer –
ensinar. Eu tinha sido professor. Dei aula para algumas turmas noturnas
enquanto estava na universidade e gostei muito da experiência.
Por um lado, sentia uma grande vontade de ensinar e
queria montar meu próprio centro de treinamento. Por outro, meu medo do
fracasso dizia: “E se você falhar?”
Era como um desenho em que um homem tem um anjo em um ombro e um diabinho no
outro, cada um sussurrando uma mensagem diferente em seus ouvidos. Lembro-me de
estar dirigindo de volta para casa e dizendo a mim mesmo: “Deixe o que deseja de lado e você vai acabar trabalhando para outra
pessoa, fazendo algo que não gosta de verdade apenas para se sustentar.”
Esta não era a maneira como queria levar minha vida.
Meu medo do fracasso me motivou. Eu me lembro
daquele dia tão bem como se fosse hoje. Esse medo me assustou tanto que jurei
nunca mais fracassar novamente. Para mim, o medo representou uma oportunidade
para que eu me conhecesse. Não há motivo para recear seus medos. Eles são uma
parte importante de você; fazem de você quem você é.
A dúvida e sua causa subjacente, o medo, são dois
sinais em nossa estrada. Quando conseguimos entende-los conduzem-nos a uma compreensão
melhor de nós mesmos.
Cinco
passos para encarar seus medos e dúvidas.
Não queremos nos livrar dos medos e dúvidas.
Queremos apenas aprender a mantê-los em seus devidos lugares e fazer com que se
posicionem a nosso favor. A palavra tibetana rewa designa esperança e a palavra
dokpa significa medo. A palavra re-dok é uma combinação de ambas, uma equação
de dois lados: esperança e medo. Buscar a esperança em seus medos e dúvidas
muitas vezes, um desafio, mas, com certeza, ela está sempre lá.
Aproveitar o poder da dúvida e sua causa subjacente,
o medo, é impossível. Ao contrário de escolher uma vítima reagente ao medo,
abrindo mão de seu poder sobre as circunstâncias, você pode ser proativo e
criar certezas em qualquer situação.
Você traz a proatividade para a sua vida com os
cinco passos seguintes.
1:
Pare
Ôooo! Faça com que aquele cavalo em disparada pare
antes que você perca o controle. Não importa realmente sobre o que são aquelas
reclamações em sua mente, desde que você as faça parar. Obviamente, o quanto
antes você bloquear essas mensagens, mais fácil será controlar a situação.
Quanto mais demorado for, maior será o risco de uma fuga da manada. Quanto mais
você praticar estes cinco passos, mais cedo você reconhecerá esses sinais.
Todos nos damos pistas que nos informam sobre como
lidamos com a dúvida. Podemos estar
zangados, desapontados, frustrados, surpresos ou confusos. Podemos ser
grosseiros e gritar ou calmamente irmos embora. Podemos ficar na defensiva e
começar a dar todos os tipos de desculpas. Qualquer que seja seu modo de ação,
é importante reconhecer como você lida com a dúvida.
Isso é difícil e requer treinamento. Pense em você
como um automóvel de luxo. Quando você anda, emite certos sons que deixam que o
motorista perceba que tudo está bem. Quando o som muda, motorista sabe
imediatamente que algo está errado e checa o motor. Então, se ele encontra uma
correia de ventilador solta ou descobre que o motor não está trabalhando em sua
capacidade total, ele o leva ao conserto. Quanto mais conhecimentos você tem em
relação aos sons que produz em sua mente, mais você saberá sobre as mudanças.
Essas mudanças são as mensagens que indicam que algo está diferente e que é
hora de checar o motor.
2.
Faça uma pausa e uma repetição
Repita aquela mensagem interior. Ouça cuidadosamente
o que ela está dizendo. Se você consegue ouvi-la escrava em um pedaço de papel.
Como um observador imparcial, olhe para as palavras. Use sua perspectiva de
olhos de águia.
Pergunte a si mesmo: “Como esta mensagem afeta minhas incertezas?” Você sabe como é se
sentir seguro, então, quando ouve a mensagem, o que muda em você?
De que maneira essas mensagens são diferentes das
outras que você envia a si mesmo quando se encontra em um estado de certeza?
Faça a si mesmo uma série de perguntas sobre a
mensagem – encontre o problema. Não ataque a dúvida; melhor, estude-a para ver
se você consegue descobrir o que ela está tentando transmitir.
Em seguida, pergunte a si mesmo: “É isso o que eu realmente quero ser?”
Esta é uma pergunta difícil. Imagine o tipo de pessoa que você quer ser e
pergunte a si mesmo se essa mensagem é coerente com essa imagem ideal. Quando
você for confrontado por dúvidas e ouvir as reclamações de sua mente, pergunte
a si mesmo se o que está ouvindo provém realmente de você. Você realmente quer
ser rabugento, enraivecido ou maldoso? É isso o que realmente quer ser? A
resposta é sempre não.
3.
Desvende o medo
O resultado de sua análise deve revelar o centro do
problema – o medo. Alguns medos são racionais. Se você dúvida se deve pular da
janela de um avião com um paraquedas que você mesmo preparou – sem nunca ter
tido aula com um profissional sobre como fazer isso – então, seu medo de morrer
é bem realista. Aqui, a dúvida está dizendo para que você repense sobre essa
decisão em particular.
Quando Sir Ernest Shackleton partiu em missão para a
Antártica, essa mensagem era alta e clara. Shackleton se deparou com obstáculos
inesperados provocados por pessoas céticas durante todo o processo de
planejamento.
“Você
realmente acha que pode fazer isso?”, perguntavam essas
pessoas.
“Sim”,
respondia Shackleton enfaticamente. Ele não tinha qualquer dúvida sobre o
sucesso da missão. Mais tarde, ele encontrou o rei da Inglaterra e, ao se
despedirem, o rei perguntou a Shackleton: “Você
sente medo?”
Shackleton virou-se, olhou para o rei e respondeu
simplesmente: “Sim.”
Todos temos a escolha de ter dúvidas e permanecer
parados, ou enfrentar o medo e seguir adiante.
4.
Agradeça à sua dúvida
O próximo passo é concluir que você recebeu um
presente, uma oportunidade de crescer. Dúvidas são exatamente isso: uma chance
de descobrir quais são as suas partes que necessitam de atenção. Dúvidas assim como bloqueios, forçam você a
parar no meio do caminho e reexaminar as alternativas que tem para seguir em
frente. Se você as ouvir e lidar com elas adequadamente, então pode esperar ansiosamente
por uma viagem muito confortável.
A ação seguinte óbvia é a gentileza. Qualquer pessoa
que lhe dê um presente de valor merece seu agradecimento. Agradecer a esse
bloqueio pela mensagem passada é necessário; trata-se de uma afirmação
consistente de que você realmente entende seu valor. Isso pode parecer absurdo.
Como é possível ficar feliz diante de um bloqueio? Mas esse bloqueio consiste
realmente em uma oportunidade para um exame de consciência necessário. Esse é o
maior presente de todos e o ajudará a fazer com que a próxima etapa de sua
viagem seja mais suave.
5.
Comece a agir
E agora o teste. Comece a agir. O desafio é
equilibrar duas forças opostas: a mente, que diz uma coisa, e seus instintos,
que dizem outra. Isso é normal. Leva algum tempo até que essas forças trabalhem
em harmonia.
Seja proativo e comece a agir agora.
Esses cinco passos conduzirão você ao caminho certo
para, proativamente, se mover entre os bloqueios. Mas, se você ainda não está
certo disso, não permita que essa situação o impeça de agir. Como Oliver Wendell
Holmes Jr. Disse certa vez: “Quando
estiver em dúvida, aja.“ É assim mesmo, drible-a!
Mudar seu comportamento não é algo fácil de fazer e,
certamente, não é instantâneo. Exige que você aprenda novas alternativas. E
novas habilidades levam algum tempo para se integrar a seu ser. Então, proceda
como se já estivesse lá. Você ficará maravilhado com a velocidade com que seu
conhecimento vai alcançar suas ações.
A vida é, na verdade, muito boa. Ela pode ser um jogo
de ganhar ou ganhar, desde que você entenda que o que está em seu caminho está
lá de fato, para suavizar a viagem para você. Com essa percepção, você estará
dando passos importantes para criar uma vida repleta de certezas. Depois,
quando você entender sua real importância, leve a busca a um outro nível, mais
elevado.

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